Sobre tzsimoes

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mesmologia

Sobre o quê escrever num dia normal
(Guarda-sóis esquecidos, “estrelas sem brilho”?)
Dia normal, sem tristeza, nem esperança…
Como dizer, sem dizer, o-de-sempre ?

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neukölln

Nessa cidade o presente é invisível. Saber que já foi duas e hoje é uma… É como andar sobre chão cicatrizado, sentindo ainda a dor, ou a lembrança da dor concentrada. Diferente da época em que, dos terraços vizinhos ao muro, as pessoas saltavam sabendo que podiam morrer (li isso numa placa). Tinham, ou imaginavam ter do outro lado alguém para cuidar delas; depois. Ficar inteiro sozinho, de que adianta? Estou oscilando com tanta força, aqui, entre alegria e tristeza, que é difícil pensar que a cidade não tem parte nisso. Me dói a distância do meu país, me doem os olhos na tela do telefone, e uma coisa se mistura com a outra… Vocês (meus amores,) são meus telhados onde eu vivo me jogando. Preciso descobrir o que é esse muro; e se preciso usar óculos.

meu ‘se’

Medo que não aconteça o que não pode acontecer. Medo de perder, mais uma vez, o que ainda está pedindo socorro. Posso tocar mas não vê-lo (estou perdido?). No fim, tudo deve ser tão simples. (Mas não é ainda). Morro esperando o que virá; mas não para mim. (Certeza).

macumba

Quando a verdade é
Mentira mal contada ou
Fúria mal digerida,

Vem a idéia do acaso, me salvar
Dos cascos marciais, dos crânios
Traumáticos, marcianos, semíticos,
De mil mulas sem cabeça.

Riscos livres, curvas sujas no barro
Sentidos turvos num falso mar de estridência.

eichendorff (à malakoff)

Platô da normalidade (minha janela de manhã).

Pinheiros balançando como cachorros molhados,
Calhas vomitando em batentes, línguas de minuto,
Postes que se apagam em luzes frias,
Mal obedecendo, como crianças autistas.

Um pássaro azul chega se partindo —
Mancha laminada em laranja formigando.

Gestos emplumados, máscaras rituais,
Adolescentes se provocando [Sabem que não posso descer?]